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Tucunaré  " O Maior espetaculo da Terra "








A maior aventura que um pescador esportivo pode fazer é sem dúvida pescar o Tucunaré na Amazônia.

Longe de hotéis 5 estrelas, ar condicionado e outras mordomias, audaciosamente indo onde poucos pescadores esportivos já estiveram. Dormindo em redes, comendo macarrão instantâneo e feijoada em lata, arrastando o barco por entre bancos de areia, o pescador vai vencendo os obstáculos que o separam de seu objetivo : o Tucunaré Gigante!
Esta aventura começou em meados de março, quando meu companheiro de pescarias, o Manuel (Marvel) me procurou no canal de irc em que fico todas as noites, me dizendo que fomos convidados por um outro amigo do canal pesca da rede Brasirc, o Igor (smachine), que reside em Manaus a fazer uma pescaria de Tucunaré na Amazônia. Depois de pensar numa forma de me livrar do trabalho por alguns dias, aceitei o convite e lá estávamos nós, envolvidos com os preparativos para a viagem que começaria no dia 29 de março, os rios haviam começado a encher perto de Manaus o que poderia dificultar bastante as coisas, pois se os peixes entrassem na mata poderíamos dizer adeus à pescaria.
 Desembarcamos a noite no aeroporto de Manaus onde fomos recebidos pelo Igor que já havia providenciado reserva em uma pousada muito agradável, e tiramos o dia seguinte para fazer turismo em Manaus, e não posso deixar de registrar aqui o meu espanto ao conhecer esta bela cidade, não esperava encontrar uma cidade tão bonita, organizada, rica e agradável no coração da Floresta Amazônica!
Mas nossa ansiedade crescia a cada hora que passávamos em Manaus. No dia seguinte equipamento pronto, carro
e barco carregados, feitas as compras de mantimentos caímos na estrada rumo ao rio Uatumã, pesqueiro famoso
por seus recordes de tucunarés, iríamos pescar nos lagos que ficam a umas 3 horas do rio, abaixo da represa de
Balbina. Acampamos no lago do Romero, e para nossa tristeza as águas haviam subido na última semana, atingindo
o capim que neste lago é abundante, os peixes ainda não tinham entrado na mata mas tinha tanto capim que ficava
praticamente impossível tirar os Tucunas debaixo dele.
 



 




Sem um ataque sequer neste lago, partimos para um lago próximo uns 10 minutos rio abaixo onde segundo nos
informou Igor, nunca ficou sem uma fisgada! Pescando no fundo do lago, no meio da "cacaia" (floresta alagada), um
arremesso preciso e uma bomba explode embaixo da minha isca! A linha tesa ao limite e o bicho toma linha de
carretilha e verga a vara sem tomar conhecimento do meu equipamento que valente vai resistindo ao peixe, no
primeiro salto a surpresa que vem a ser confirmada depois de embarcado o peixe: era um Paca de apenas 3,2kg.
Já tinha pescado Tucunarés amarelos e azuis deste porte em Rubinéia SP, mas nem de longe estes tinham a força
deste Paca da Amazônia!
Logo em seguida uma outra fisgada na minha isca, e mais outras nas iscas de meus companheiros, havíamos
encontrado um cardume de Tucunarés Paca com cerca de 1,5 kg em média. Destaque para o primeiro double da
minha vida!
 
 


 




Pescamos ainda em um terceiro lago, já de retorno a mais ou menos 1,5 hora da represa de Balbina, este é um lago fechado para o turista, onde é proibida a entrada de pescadores!
Como este existem vários lagos no Uatumã, os ribeirinhos que sobrevivem principalmente da plantação de mandioca, e da pesca de subsistência são obrigados a fechar a entrada dos lagos que ficam em suas propriedades para protege-los de turistas que se julgam os donos da floresta e que sem o menor respeito pelos moradores, fauna e flora do local teimam em levar de lá quantidades absurdas de peixes e atiram em qualquer coisa que se mecha nas margens pelo simples prazer de matar. Devastando assim todos os locais por onde passam!
Chegando à entrada deste lago conversamos com o proprietário das terras e explicamos que pescávamos Tucunarés e que
não levaríamos dali nada a não ser as fotografias dos peixes capturados, e com a maior satisfação desse mundo o
proprietário não só nos permitiu o acesso como nos colocou à disposição um de seus filhos que nos guiaria aos melhores pontos de pesca dentro do lago!
Nunca vi em minha vida tantos ataques de Tucunarés! Neste lago encontramos verdadeiros gigantes destruidores de garatéias, o Igor fisgou um Açu com aproximadamente 8kg que saltou alto logo depois de explodir na isca e que de tanta força as garatéias não resistiram, se abrindo como se o aço delas fosse de arame recozido!
 
 


 




Encontramos também grandes Aruanãs e Traíras que mesmo sendo peixes pouco valorizados pelos pescadores da região são muito esportivos. Concluímos assim a primeira parte de nossa pescaria na selva Amazônica, e resolvemos seguir viagem para Roraima, onde a seca que resultou no gigantesco incêndio daquele estado deveria Ter deixados os rios no "caco" tornando assim promissora uma pescaria por lá!
Começava a maior aventura... A estrada que leva ao rio Japerí termina em um barranco de uns 15 meros acima do leito do rio, com uma inclinação de mais ou menos uns 65º. Nossa primeira tarefa era descer por este barranco, barco, motor, 100lts de gasolina divididos em dois tambores de 50 lts,  geladeira, tralha de pesca, enfim... comecei a perceber o que nos esperava, descer era uma coisa, o duro seria a volta!
Tínhamos que subir o rio pois descendo entraríamos na reserva indígena dos temidos Uaimiri Atruari, o rio estava
realmente no caco, ele alternava entre um poço e outro, faixas de areia onde não tinha mais que 25 centímetros de
água, onde com cuidado para não pisar nas inumeráveis arraias que habitam e se confundem com o fundo de areia,
arrastávamos no braço o barco rio acima tendo como testemunha desta prova de resistência física apenas os
pássaros nas árvores e os jacarés no leito do rio!
 O barco navegava com dificuldade pois o rio escondia além dos troncos submersos uma grande quantidade de pedras, mas a baixa velocidade com que seguíamos em frente era compensada pela maravilhosa paisagem que se descortinava a cada curva do rio.
 
 


 




O destino seria a entrada do rio Branquinho, onde nosso amigo e guia costuma pescar os melhores exemplares de Tucunarés mas fizemos uma parada antes, na boca de uma lago que parecia promissor, foi uma farra! Tucunas que é bom nada... mas pegamos 11 traíras em 15 minutos, todas de porte razoável! Chegamos ao destino, um acampamento no meio de uma ilha      ( quando o rio está cheio) já de noite, foi o tempo de armar as redes e dormir ( desmaiar) pois o cansaço físico era absurdo.
Dia seguinte, ao amanhecer do dia já estávamos pescando em uma lagoa ao lado do acampamento que fervia de peixes por todos os lados! Aruanãs fizeram farra no fundo da lagoa atrás de seu café da manhã e do lado esquerdo da lagoa junto a uma extensa formação de pedras começamos a Ter vários ataques de Tucunarés! Um deles depois da tradicional explosão em minha isca de superfície fazia uma descomunal força e deu um bom trabalho para evitar que o peixe fosse para as pedras onde certamente arrebentaria a linha, o peixe tinha de novo apenas 2kg mas foi grande a surpresa ao verificarmos o motivo de tamanha briga com um Açu deste porte: ele tinha sido fisgado pelo rabo! Brigou como um Tucunaré de 4 kg!
De repente, outra explosão, mas esta vinha do outro lado da boca da lagoa, mas ainda ao alcance de um longo arremesso, um enorme Tucunaré Açu estava caçando no capim da beira do barranco, um lugar completamente limpo de qualquer estrutura que pudesse ocasionar a ruptura da linha, arremesso preciso e mal a isca tocava a água o monstro explodiu na minha isca, o arremesso do Igor ainda provocou um grande rebojo por baixo de sua isca mas infelizmente o outro peixe ( era um casal ) errou o bote e não quis saber da terceira isca que também o tentava a meia água arremessada pelo Manuel.
 
 


 




Seguimos então para o rio Branquinho onde subimos até a cachoeira do travessão e, como prometido pelo Igor tivemos a maior quantidade de ataques e maior porte dos peixes que vimos em toda a pescaria! Na cachoeira tivemos ataques espetaculares de Tucunarés Açu entre 3 e 7 kg sempre junto a formação de pedras, nas pauleiras só entravam traíras.
Destaque para um Tucunaré que atacou minha isca ao primeiro toque na água e assim começou uma luta complicada para mim pois tinha arremessado em um remanso por trás de uma pedra, o Tucunaré começou a se debater de forma diferente e o Manuel gritou " Piranha !! ", a linha não demorou a partir! Nos aproximamos do local onde o Tucunaré havia sido devorado,
supostamente por piranhas pois tinha a esperança de recuperar a isca e nada de Tucunaré, nem sinal de piranhas, a
água atrás da pedra não tinha mais que 50cm de profundidade e a única coisa que vimos no local foi uma cobra
vermelha com uns 2 metros de comprimento preguiçosamente se escondendo no fundo por entre as pedras!
O Manuel, ainda durante estes dias encontrou a sorte de fisgar outros peixes: Piranhas chamadas Chupitas, que
segundo o Igor alí são " criadas com Toddinho " de tão grandes que são, uma Pirarara de uns 8kg que merece o título
de trator do rio de tão forte que o bicho é quando reboca linha e mais linha da carretilha, e ali tem maior... uma delas
estourou minha linha 0,50 como se eu estivesse usando uma linha de costura ! E ainda as bicudas !
 
 


 




Fechamos então nossa pescaria no coração da floresta, durante os dias que estivemos no rio Japerí choveu
bastante, o que resultou em um volume de água um pouco maior no dia em que de volta descemos o rio, isso
facilitou bastante o regresso e o sufoco final ficou por conta de subir todo o equipamento do rio até o carro.
De volta à Manaus de corpo cansada, mas de mente e coração leves tanto eu, como meu parceiro o Manuel não tínhamos palavras para explicar ao Igor nossa felicidade por ter pescado no paraíso que são os rios e igarapés da Floresta Amazônica!
Sonho Realizado... O diacho é que vicia!
Pescar na Amazônia é sem sombra de dúvidas o MAIOR ESPETÁCULO DA
TERRA!!!!!!!!!!!
 
 

tucunaré Açu de 5,3 Kg retornando à agua