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PESCADORES DE ALMAS   (I)

A NATUREZA PEDE SOCORRO

Por : Rogério Pedroni

Pescar é uma prática milenar. Nossos ancestrais pescavam movidos pelo mais elementar instinto de sobrevivência; assim procedemos por séculos e séculos .

Retirávamos dos rios e mares o fruto generoso que a mãe Natureza nos ofertava e desta relação nasceram as histórias que mais tarde tornaram-se lendas e pouco a pouco desenharam todo um ambiente místico e maravilhoso que até hoje envolve a mais simples pescaria .

O homem aprendeu a admirar e respeitar toda a beleza e força da Natureza, pois estudou por séculos a fio as lições que esta ensinava. E conhecimento adquirido era conhecimento transmitido de geração a geração, somando outras informações que, organizadas, formaram os rudimentos das diferentes ciências da atualidade.

De rudes pescadores evoluímos a navegadores orgulhosos, impulsionados ainda pelo instinto de auto-preservação que agora somávamos a necessidades de conquistas e aventuras.

Os pescadores formavam uma classe de pessoas simples que, mesmo acostumada aos maus tratos de uma vida sofrida, colhia na Natureza o conforto e paz revigorante tão necessários para a labuta do dia seguinte, o trabalho desgastava e a natureza revigorava !

O Mundo Ocidental teve, ainda nesta categoria, os primeiros discípulos do seu maior guia espiritual... Foram pessoas simples que receberam as brilhantes lições transmitidas por Jesus e a incumbência de espalhar ao mundo a “boa nova” , transformando–se, mais tarde, em “pescadores de almas" com a sincera intenção de mudar o mundo para melhor! A pesca sempre esteve ligada aos desafios da existência humana e em pleno final de século XX estes mesmos humildes pescadores são chamados a dar sua contribuição para a construção de um novo mundo.

Parece mentira, mas ainda  não aprendemos algumas das mais básicas lições! Ou será que simplesmente as esquecemos? O homem moderno, cuja ciência no último século se desenvolveu velozmente, parece ter esquecido de harmonizar todo o seu cabedal de conhecimentos com a sabedoria milenar que lhe deu origem.
 
Nos maravilhamos com o “novo“ e somos induzidos a desprezar o “antigo", como se nele tudo fosse um grande equivoco, tudo fosse repleto de misticismos e crendices típicas de povos atrasados; nos esquecemos de que algumas leis da natureza, como as relações entre ação e reação, sempre existiram e sempre existirão. Elas são imutáveis e já as conhecíamos antes de inventarem a palavra “ciência”.

Neste século, dizimamos o meio ambiente, levamos à extinção mais espécimes da fauna e flora do que nos últimos dois mil anos de nossa civilização e sofremos as consequências disto.

Este mesmo homem que ainda ontem não dava maior atenção à saúde do planeta que habita, hoje percebe com tristeza que há muito de errado em sua antiga conduta. Começa a pensar sobre o que pode fazer para recuperar aquilo que foi perdido e  a preservar o que ainda lhe resta.

Uma nova geração de humildes pescadores começa a juntar suas vozes em coro pelo direito a um futuro. Já nem sabemos mais se haverá um futuro melhor, pois a situação atual começa a plantar a dúvida se haverá algum futuro onde esteja presente a figura humana neste planeta.

Os peixes estão desaparecendo das nossas águas, e com eles o gosto pela pratica milenar da pesca.  Temos que viajar centenas ou milhares de quilômetros para encontrar um local preservado da ação predatória do homem, onde nossas almas possam colher na natureza a energia que nos abastece e renova para o dia a dia.

Vemos ecologistas gritando freneticamente para chamar a atenção dos governantes para o óbvio. Jogam seus barquinhos na frente de gigantescos petroleiros e ganham alguma atenção na mídia. Alguns dias mais tarde percebemos que todo esforço parece não ter surtido efeito algum ou apenas adiou o desastre iminente.

Perguntamos o que podemos fazer para ajudar e nos acreditamos pequenos demais para mudar o mundo. Jogamos a culpa e a responsabilidade em nossos governantes e fazemos força para não lembrar que somos nós que os escolhemos.

Alguns já perceberam que a única forma de  mudar este grande mundo é começarmos a mudar nosso pequeno mundo. Assim, começamos a agir onde antes apenas reagíamos.

Já não espalhamos nosso lixo de forma irresponsável pelas ruas ou pelas margens de um rio, não compramos produtos que possam causar danos à nossa atmosfera e à nossa saúde,  aprendemos a manipular e soltar os peixes que pescamos de forma a garantir um impacto mínimo nos ecossistemas.

Numa outra vertente,  descobrimos a força das associações e nos organizamos para trabalhar em prol da conservação ambiental, sem esquecer do lado humano ( ou deveria dizer desumano? ) que envolve as questões de política ambiental e social.

Voltamos a ser os pescadores de almas, despertando os espíritos adormecidos para fazermos juntos o bom combate, e, unidos, trabalharmos pela educação ambiental e pelo progresso deste esporte que coloca o homem face a face com a Natureza  que, de forma silenciosa, reclama cuidados urgentes.

Convidamos a todos que se sensibilizam com este pedido de socorro da Natureza a somarem suas vozes com as da  SBPE- Sociedade Brasileira de Pesca Esportiva, associando-se a este grupo de representação nacional que luta pela preservação desta prática milenar. Uma prática que evoluiu para o valoroso esporte chamado PESCA ESPORTIVA e conseqüente preservação/ recuperação de seus sítios esportivos, garantindo efeitos sociais notáveis através da implantação de projetos sérios, unindo a indústria da pesca aos interesses ecológicos .